Ela ri, ela chora e ela vive. Quase nunca notada; sempre notando. Melhor assim, o seu lugar ao sol está guardado.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
il sognatore
Ela nunca teve muitas ambições. Pra ela, bastava permanecer no seu palácio de faz de conta, feito com tijolos de cristal e frases em italiano. Ela pintava seus lábios com a ponta do dedo indicador, e não estava nem aí se manchasse o copo de vermelho.
Seu jardim era verde, verde como poucos e fora enfeitado com flores brancas. Lá vai ela derrubar um beijo vermelho pra finalizar a coloração. Por mais cinza que fosse seu céu, sua gargalhada fazia com que ele mudasse de cor; que ficasse da cor dos olhos daquele que ela esperava todas as tardes, na sacada de seu quarto com uma flor numa mão e o coração na outra.
A noite chega, e as estrelas vieram saldar a garotinha. Com elas, vem um intrometido arco-iris de três cores apenas; verde, branco e vermelho. A garota sorri, e mais uma vez ilumina todo e qualquer ser vivo que possa estar a sua volta. Sua voz quase nunca é ouvida, mas seus sentimentos são bem explícitos. Já é tarde, e o seu príncipe não chegou. Seu mundinho vai se ofuscando, e as cores correm pra longe.
Uma unica lágrima solitária rola por seu rosto, e ela se joga pro ar; flutua até onde pode, tentando não pensar naquele que a fez chorar. Amanhã é outro dia, e a verdade é que não importa o que ele fizer, ela não consegue mais odia-lo, por mais que deva. Todos os seus erros serão perdoados e quando ele resolver vir, será recebido de braços abertos.
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