quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pseudo conto de fadas


O príncipe não vai chegar e o espelho decretou que a madrasta é a mais bela de todas. As fadas estão em greve e a princesa foi esquecida na torre. O seu vestido não é o mais brilhante, seus cabelos não ficam mais lindos ao vento e o sapatinho de cristal espatifou-se no chão. O baú dos desejos está vazio e a cama desarrumada.
"Levante-se." Gritava o relógio quando suas badaladas acabaram de grunhir. Seus lábios ressecados não mais eram moradia de um sorriso elegante, e seus olhos não passavam de dois circulos escuros. Ele não vem. Ele não quer te ver. As folhas gritavam invadindo seu quarto e as lágrimas riam de seu desespero.
Ele tem outra princesa. A garota de seus sonhos, linda e delicada. A que possui o melhor vestido, a melhor conversa, o sorriso mais bonito e o coração do seu amado. As flores já foram postas na mesa, mas a rosa espetou seu dedo.
Ela cai. Cai no chão sem ninguém pra segura-la e chama-la de "amor". A princesa não mais terá um final feliz.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Chá de mentiras


Sentada perto da janela, contemplando as gotas da chuva que se arremesavam sem medo e sem destino. Sozinha com a minha xícara de chá e as lembranças de um passado recente e de todas as burradas que não cometi. Todas as juras de amor que não declamei e todos os riscos que não corri.
Uma vida sem improviso, nada mais é do que uma peça de teatro sem aplausos no final. Deixo meus pensamentos voarem e mais uma vez pouso os lábios na xícara. Sem grandes aventuras e nem motivo pra estar alí. O relógio grita-me as verdades que os, oh, tão bons amigos não puderam dizer. Os anos passam.
Levanto-me num impulso, mas volto a sentar por não ter coragem de fuigir do meu roteiro pessoal. Pra onde foram os holofotes? Minha platéia nem viu o número final! 
Minhas mãos alcançam um cigarro amanhecido, já sujo de batom vermelho e cúmplice de mais uma noite de lágrimas abafadas no travesseiro. Não mais poderei dizer que te amo, não mais poderei ouvir isso de você. Suas mãos já não são mais tão macias e o verde implacável de seus olhos tornou-se banal.
Eu não preciso mais de você.

domingo, 4 de abril de 2010

Desabafo


Chega uma hora que você cansa de tudo. Cansa de tentar agradar, cansa das cartas de amor que nunca serão enviadas, cansa dos sonhos que nunca serão realizados e de abafar meu choro com o travesseiro. Cansei do amor.
Minha mente vai se desconectar de você, vou arrancar seu nome da minha parede e você do meu coração. Não vou mais precisar te ver pra sorrir, não vou mais ser a garotinha que acredita no amor eterno, com o garoto dos seus sonhos e que acha que um dia isso vai se realizar. Vou viver a minha vida, do meu jeito.
Quebrar a cara? Com certeza, mas por qualquer motivo que não seja você. E quando eu olhar pra trás, eu vou ver que valeu a pena desistir de um sonho pra dar lugar a uma realidade.
Não vai me fazer falta. Como posso sentir falta de algo que nunca foi meu? Seu coração nunca me pertenceu, e duvido até que você já tenha olhado pra mim e enxergado algo além. Por favor, destino. Leve-me pra longe de tudo oque em lembra desse amor platônico.

Sol da meia noite.


Seus olhos eram calmos, sua pele quente como sempre foi e o sorriso adorável ainda estavam lá. Me esperando. De uma maneira inexplicavelmente boa e sombria eu tinha a convicção de que era tudo meu. 
Mais uma prova do quão tolo o amor pode nos deixar. O abraço mais quente e perfeito não era só meu, o olhar doce e gentil também não. A boca suave e o corpo lindo também não eram so meus. Você nunca foi meu. Mais uma ilusão. Mais uma decepção. Mas não se preocupe. O mundo vai me dar o que eu quero, um reencontro com você. E por mais que dentro de mim, no mais intimo fragmento da minha alma eu ainda me ilumine por te ver, eu vou passar reto, como se nem soubesse quem você é. Nesse dia eu estarei feliz, pois farei com você o mesmo que você fez comigo.
Você, que pensou que me teria eternamente não vai ter, eu ficarei feliz em ver o Sol desaparecer do seu rosto, de ver o seu chão sumir instantaneamente quando eu não te querer, e quando você estiver a ponto de sucumbir, eu te darei a mão, te ajudarei a levantar e irei embora, so pra você notar que perdeu a mulher da sua vida.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Paixonite.


Eu ando apaixonada. Não digo como uma metáfora, digo que ando pelas ruas apaixonada, ando sem pensar na hora, no tempo, no lugar, ando devagar, com o olhar distante, e realmente não me importo com o que as pessoas irão dizer.
Não consigo mais tirar aquele sorriso bobo que se destaca em mim. Quando eu penso em você, meu coração já nem sabe como bater, e eu estou incrivelmente viciada em você. Eu penso em você em todos os momentos, eu sonho e acordo com você no pensamento, estou disposta a tudo pra poder, subitamente, ter você. 
Eu tenho medo. Medo que tudo isso seja uma ilusão, medo que todo esse meu sentimento, acabe se tornando, apenas uma desilusão, que apenas eu vivi, apenas eu sonhei e obviamente, apenas eu sofrerei. Porque só um coração apaixonado sabe o quanto é duro sonhar com o amor e acordar com a realidade de que ele está distante. Não, você pode não estar do outro lado do mundo, mas é como se estivesse. Quando muito, você pensa em mim como uma amiga, ou uma companhia aparentemente agradável que pode dividir sorrisos com você, mas você nunca me vê como uma garota que escreve milhares de cartas que nunca serão entregues, nunca serão lidas e um dia, serão queimadas.
Queria poder arrancar esse sentimento de mim e guardar numa caixinha; eu a jogaria pro oceano e rezaria pra que nunca fosse encontrada. Pelo menos, não por alguém que não vá ser correspondido.