quinta-feira, 22 de abril de 2010

Chá de mentiras


Sentada perto da janela, contemplando as gotas da chuva que se arremesavam sem medo e sem destino. Sozinha com a minha xícara de chá e as lembranças de um passado recente e de todas as burradas que não cometi. Todas as juras de amor que não declamei e todos os riscos que não corri.
Uma vida sem improviso, nada mais é do que uma peça de teatro sem aplausos no final. Deixo meus pensamentos voarem e mais uma vez pouso os lábios na xícara. Sem grandes aventuras e nem motivo pra estar alí. O relógio grita-me as verdades que os, oh, tão bons amigos não puderam dizer. Os anos passam.
Levanto-me num impulso, mas volto a sentar por não ter coragem de fuigir do meu roteiro pessoal. Pra onde foram os holofotes? Minha platéia nem viu o número final! 
Minhas mãos alcançam um cigarro amanhecido, já sujo de batom vermelho e cúmplice de mais uma noite de lágrimas abafadas no travesseiro. Não mais poderei dizer que te amo, não mais poderei ouvir isso de você. Suas mãos já não são mais tão macias e o verde implacável de seus olhos tornou-se banal.
Eu não preciso mais de você.

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