Ela ri, ela chora e ela vive. Quase nunca notada; sempre notando. Melhor assim, o seu lugar ao sol está guardado.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Nosso roteiro
Passei metade da vida procurando você. E quero passar a outra metade contemplando seu sorriso brilhante.
Poderíamos nos casar na praia e eu entraria no mar com o meu vestido de noiva. Nossa casa seria pequena, mas do tamanho ideal pra nós dois. Não precisaríamos de televisão, pois o mundo lá fora não teria importância para nós. Você seria meu rádio e cantaria pra mim. Acordaríamos ao meio dia todos os dias e passaríamos os domingos de pijama e meias. Nosso cachorro se chamaria Lennon, e passearíamos com ele enquanto andamos de patins.
Ficaríamos acordado enquanto o mundo inteiro dorme e eu ficaria em silêncio com você durante o por do sol, só pra que pudéssemos ouvir o sussurro do dia dizendo "adeus". Nós só daríamos as mãos e esperaríamos ele voltar.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Silence, please.
Dessa vez, tudo o que eu quero ouvir é o seu silêncio. Quero ter certeza de que nada que venha de você vai atrapalhar esse momento.
Ontem a noite, quando você não me viu deitada ao seu lado, eu estava pulando de estrela em estrela. Eu estava procurando algo que faltava, algo que nem eu mesma sabia o que era. Lá de cima, vi aquele sorriso quase invisível que brota no canto dos seus lábios enquanto você dorme.
Ah, quantas e quantas noites eu passei olhando esse seu semblante pacífico e quase inocente...Decorei cada detalhe desses lábios que tantas e tantas vezes eu beijei. Tive vontade de contar seus cílios um por um, mas me perdi no perfume do seu sono.
Eu não encontrei nas estrelas o que eu estava procurando. Eu não consegui descobrir o que faltava, e sabe porque? Por que não falta nada. Eu tenho você e, no momento, é tudo o que eu poderia querer.
Nós temos nossas diferenças, o que nos compatíveis. Minha risada só tem ritmo com a companhia da sua e meus olhos não brilham mais sem os seus.
E hoje eu sou feliz por ter percebido isso.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Naufrago
"Eu não sinto minhas pernas, Safira." Eu sussurrei mesmo sabendo que ninguém ia me escutar. Não havia ninguém lá, por mais que eu estivesse no meio de uma multidão tão gelada quando a água na qual eu me afundava cada vez mais rápido. Sabia que tudo estava perdido no momento em que parei de lutar contra a maré e deixei que ela me levasse pro mar aberto. Desisti de lutar a favor da minha sobrevivência e me joguei contra o infinito.
Meus lábios já tinham perdido a aparência viva que você tanto gostava. Agora eles haviam adotado um tom roxo-morto do qual eu não me orgulhava. Os gritos abafados dos meus pensamentos me deixavam meio tonta, acho que foi esse o motivo pelo qual eu comecei a cantarolar minha música preferida, na intenção de me isolar de qualquer outro som.
Mas a música chegou ao fim, assim como aquele sonho tão bonito que eu projetei e que hoje eu vejo que não se realizará. Meu último suspiro está se aproximando, meus olhos já não querem mais permanecer abertos.
Puxo o ar pela última vez e afundo. Acabou.
Assinar:
Comentários (Atom)


