Ela ri, ela chora e ela vive. Quase nunca notada; sempre notando. Melhor assim, o seu lugar ao sol está guardado.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Naufrago
"Eu não sinto minhas pernas, Safira." Eu sussurrei mesmo sabendo que ninguém ia me escutar. Não havia ninguém lá, por mais que eu estivesse no meio de uma multidão tão gelada quando a água na qual eu me afundava cada vez mais rápido. Sabia que tudo estava perdido no momento em que parei de lutar contra a maré e deixei que ela me levasse pro mar aberto. Desisti de lutar a favor da minha sobrevivência e me joguei contra o infinito.
Meus lábios já tinham perdido a aparência viva que você tanto gostava. Agora eles haviam adotado um tom roxo-morto do qual eu não me orgulhava. Os gritos abafados dos meus pensamentos me deixavam meio tonta, acho que foi esse o motivo pelo qual eu comecei a cantarolar minha música preferida, na intenção de me isolar de qualquer outro som.
Mas a música chegou ao fim, assim como aquele sonho tão bonito que eu projetei e que hoje eu vejo que não se realizará. Meu último suspiro está se aproximando, meus olhos já não querem mais permanecer abertos.
Puxo o ar pela última vez e afundo. Acabou.
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