Comecei a colecionar estrelas. Guardei cada uma delas num pote, junto com meus sonhos e perto da minha caixa de risos. Toda noite, quando você vier me ver, soltaremos uma estrela de volta no céu, pra deixá-la iluminar a noite em companhia da Lua.
Hoje, o céu está totalmente iluminado, mas meu pote está vazio. Libertamos cada um desses brilhos magníficos e deixamos que eles fossem vistos por todo o mundo. Mas existe ainda um brilho dentro de mim. Acho que é minha áurea ou, quem sabe, seja só meu coração. Coração o qual você dominou por completo, o mesmo em que você habita.
Cada vez que você sorri, esse brilho aumenta e eu não tenho medo de me queimar com tanta luz. Você passou a ser minha luz e eu não preciso de um pote pra guardar isso. Você é a mágica que eu quero levar pra vida toda; quero escrever seu nome junto ao meu num carvalho novo, e vê-lo envelhecer ao seu lado.
Nossas diferenças não são o bastante pra nos separar. Os opostos se atraem.
Diário de uma Nuvem
Ela ri, ela chora e ela vive. Quase nunca notada; sempre notando. Melhor assim, o seu lugar ao sol está guardado.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
What I've been looking for
Tudo não passava de um borrão de silêncio dentro daquela casa, que um dia já foi lar da felicidade. Eu estava murmurando queixas pessoas, cochichando pro vento frio que entrava pela janela entreaberta, quando ouvi um som delicado; notas vindas de um piano de calda.
Segui o som, sendo guiada por esse coração que tantas vezes me levou à beira do precipício de emoções frustradas, amores frustrados e angústias. No caminho, uma rosa estava depositada no chão, sobre um papel com os dizeres "venha me encontrar.". Um sorriso inconsciente brotou nos meus lábios, o que não acontecia com frequência, e eu voltei a seguir o som, que diminuía a intensidade a cada passo meu.
Meu percurso me levou até uma sala toda branca, bem iluminada, onde o Sol entrava pelas janelas e lá estava você, ao lado do piano que agora fazia silêncio. Seu sorriso foi o bastante pra que eu entendesse o que significava tudo isso, foi quando você esticou os braços em minha direção e nos abraçamos.
Ficamos em silêncio, ouvindo as batidas de nossos corações, que agora se completavam.
Eu sempre me apaixonei pela pessoa errada, e isso sempre me fez sofrer. Talvez eu tenha encontrado a pessoa certa pra eu me apaixonar. Era tudo o que eu precisava.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Time after time
Não consigo dizer pra mim mesma que eu te esqueci, que eu te apaguei permanentemente da minha memória e do meu coração. Mas eu me fortaleci e hoje consigo conviver com isso; com a certeza de que esse sentimento vai ficar só pra mim, na minha memória.
Hoje eu consigo viver minha vida sem ter os olhos borrados de lágrimas, consigo sorrir mais e pensar no meu futuro. Mas quando eu estou sozinha no meu quarto, ouvindo aquela música que nós dois conhecemos tão bem, eu sinto meu peito sendo rasgado e mostrando que você ainda vive dentro do meu coração. A verdade é que eu acho que eu nunca serei forte o bastante pra te tirar de lá. Talvez uma parte de mim, a pior das partes, ainda acredite que possa existir uma chance pra nós dois mais pra frente.
A parte sensata diz que não, e é quando eu troco de música, respiro fundo e digo pra mim mesma que vai passar, que está passando...
Está passando...
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Nosso roteiro
Passei metade da vida procurando você. E quero passar a outra metade contemplando seu sorriso brilhante.
Poderíamos nos casar na praia e eu entraria no mar com o meu vestido de noiva. Nossa casa seria pequena, mas do tamanho ideal pra nós dois. Não precisaríamos de televisão, pois o mundo lá fora não teria importância para nós. Você seria meu rádio e cantaria pra mim. Acordaríamos ao meio dia todos os dias e passaríamos os domingos de pijama e meias. Nosso cachorro se chamaria Lennon, e passearíamos com ele enquanto andamos de patins.
Ficaríamos acordado enquanto o mundo inteiro dorme e eu ficaria em silêncio com você durante o por do sol, só pra que pudéssemos ouvir o sussurro do dia dizendo "adeus". Nós só daríamos as mãos e esperaríamos ele voltar.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Silence, please.
Dessa vez, tudo o que eu quero ouvir é o seu silêncio. Quero ter certeza de que nada que venha de você vai atrapalhar esse momento.
Ontem a noite, quando você não me viu deitada ao seu lado, eu estava pulando de estrela em estrela. Eu estava procurando algo que faltava, algo que nem eu mesma sabia o que era. Lá de cima, vi aquele sorriso quase invisível que brota no canto dos seus lábios enquanto você dorme.
Ah, quantas e quantas noites eu passei olhando esse seu semblante pacífico e quase inocente...Decorei cada detalhe desses lábios que tantas e tantas vezes eu beijei. Tive vontade de contar seus cílios um por um, mas me perdi no perfume do seu sono.
Eu não encontrei nas estrelas o que eu estava procurando. Eu não consegui descobrir o que faltava, e sabe porque? Por que não falta nada. Eu tenho você e, no momento, é tudo o que eu poderia querer.
Nós temos nossas diferenças, o que nos compatíveis. Minha risada só tem ritmo com a companhia da sua e meus olhos não brilham mais sem os seus.
E hoje eu sou feliz por ter percebido isso.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Naufrago
"Eu não sinto minhas pernas, Safira." Eu sussurrei mesmo sabendo que ninguém ia me escutar. Não havia ninguém lá, por mais que eu estivesse no meio de uma multidão tão gelada quando a água na qual eu me afundava cada vez mais rápido. Sabia que tudo estava perdido no momento em que parei de lutar contra a maré e deixei que ela me levasse pro mar aberto. Desisti de lutar a favor da minha sobrevivência e me joguei contra o infinito.
Meus lábios já tinham perdido a aparência viva que você tanto gostava. Agora eles haviam adotado um tom roxo-morto do qual eu não me orgulhava. Os gritos abafados dos meus pensamentos me deixavam meio tonta, acho que foi esse o motivo pelo qual eu comecei a cantarolar minha música preferida, na intenção de me isolar de qualquer outro som.
Mas a música chegou ao fim, assim como aquele sonho tão bonito que eu projetei e que hoje eu vejo que não se realizará. Meu último suspiro está se aproximando, meus olhos já não querem mais permanecer abertos.
Puxo o ar pela última vez e afundo. Acabou.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Ossos quebrados
Acho que eu precisei de algo que eu nunca tive. Desejei no meu mais profundo íntimo, ouvir aquelas palavras que você nunca disse mas deveria ter dito. Temi a perda dos seus braços em volta de mim, msmo nunca tendo sentido esse calor. Na realidade, eu precisei de você.
Mas você não estava aqui, porque esse mundo não é real. Eu me apeguei à palavras escritas, a poemas citados e vivi o final feliz de outra pessoa. Agora eu vejo que o chão está se desfazedo debaixo dos meus pés e eu nem me esforço pra não cair.
E eu estou caindo bem devagar. Imagens vão passando diante dos meus olhos cansados e eu não consigo decifrar nada. Não consigo obter uma resposta concreta para as minhas perguntas, tudo porque abracei o surreal por mais tempo do que eu poderia.
Agora é tarde pra acordar. Agora só me resta fechar os olhos e esperar que o buraco tenha fim, e que apenas meus ossos se quebrem quando eu cair no chão, deixando minha alma livre pra voar pela primeira vez.
Mas você não estava aqui, porque esse mundo não é real. Eu me apeguei à palavras escritas, a poemas citados e vivi o final feliz de outra pessoa. Agora eu vejo que o chão está se desfazedo debaixo dos meus pés e eu nem me esforço pra não cair.
E eu estou caindo bem devagar. Imagens vão passando diante dos meus olhos cansados e eu não consigo decifrar nada. Não consigo obter uma resposta concreta para as minhas perguntas, tudo porque abracei o surreal por mais tempo do que eu poderia.
Agora é tarde pra acordar. Agora só me resta fechar os olhos e esperar que o buraco tenha fim, e que apenas meus ossos se quebrem quando eu cair no chão, deixando minha alma livre pra voar pela primeira vez.
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