Depois de muito tempo no escuro, senti uma luz vindo na minha direção, e minha respiração encontrou uma outra. Ambas compartilhavam o mesmo ritmo, e se encontraram num turbilhão de palavras que esperavam ansiosamente pra serem ditas.
Mas quando nossos olhares se cruzaram, eu sabia que nem todos os adjetivos mundanos seriam capazes de compreender oque eu sentia naquele momento. Minha garganta queimava, e todos os meus sentidos foram postos à prova quando ele sorriu. O sorriso mais doce e angelical que meus simples olhos já puderam presenciar.
Abri minha boca vagarosamente, na esperança de conseguir dizer algo, mas ela se fechou automaticamente quando ouvi sua voz sussurrando meu nome. Um arrepio percorreu meu corpo, chegando ao meu coração que pulsava escandalosamente, constrangendo-me mais uma vez. Quase esqueci de respirar.
Suas mãos perfeitamente aquecidas tocaram as minhas, entrelaçando nossos dedos e ele me guiou até um jardim iluminado, onde as fadas podiam dançar nas tulipas e os vagalumes portavam-se como pequenas bailarinas silenciosas. Depois de poucos segundos, nossos pés não tocavam mais o chão; flutuavam pelo ar, só eu e ele.
Nada que eu não estivesse acostumada, como o barulho das minhas asas finas batendo contra a brisa congelante da noite. Trocamos poucas palavras, e quando me dei conta, meus pés dormentes encontravam-se no mais perfeito equilíbrio, como os de uma bailarina.
Mais uma vez, meu coração gritou com o seu sorriso, e ele se afastou depois de encostar seus lábios nos meus. Durou pouco, mas o suficiente pra ser eterno.

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