quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O último mergulho.

Não me lembro de como vim parar aqui. Só sinto as gargalhadas das gotas d'água que espirram em mim quando batem nas pedras. O vento está quase tão frio quanto a neblina que se torna cada vez mais grossa daqui de cima.
O cheiro de grama da montanha invade minhas narinas me fazendo esboçar um sorriso, um sorriso de adeus. Meus braços e pernas mal obedecem as ordens do cérebro, o frio me consome. O frio físico não é o pior, mas meu coração não encontra mais o calor do seu.
Mais um passo, e o chão sumiu de baixo dos meus pés; o vento aumentou e a adrenalina passeou pelas minhas veias. Abri os braços pra saborear mais dessa emoção, mas meu corpo foi lançado contra a água fria.
Meus sentidos foram testados e sua voz veio em minha cabeça, como nas mais clichês cenas de filmes. Deixei a água me levar e agradeci por não ter batido em nenhuma pedra; queria ser reconhecida quando me achassem aqui.
É um anjo? De asas quase transparentes, que refletem o pouco de sol que resta do dia. Seus braços magros me retiram da água e me envolvem num abraço. Meu coração volta a cantar, quente como nunca esteve.
Agora estou com o meu anjo, agora estou em paz.

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